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Go to Market – Gustavo Duarte

Autor: Gustavo Duarte

GO-TO-MARKET (GTM): O MAPA DA PERFORMANCE

No Brasil, com 8,5 milhões de km², 27 estados e mais de 210 milhões de habitantes, levar um produto até o cliente é um desafio estratégico. Diferenças culturais, regionais, socioeconômicas e logísticas tornam o processo complexo. É aqui que entra o Go-to-Market (GTM).

Mais do que um plano de vendas, o GTM é um quebra-cabeça estratégico que conecta áreas que normalmente trabalham de forma isolada — Marketing, Vendas, Trade, Logística, Finanças, Pricing, RH e Jurídico. Seu papel é transformar visão em execução, garantindo que a empresa chegue ao shopper certo, com a proposta certa, no canal certo e pelo preço certo.

O GTM é o plano que mostra como a empresa vai levar seus produtos ou serviços até o cliente de forma eficiente e competitiva.

Ele funciona como um mapa de rota, respondendo a três perguntas essenciais:

O que vender?

Para quem vender?

Como vender?

AS TRÊS FRENTES DO GTM:

1. O que vender?

Define o portfólio de produtos ou serviços e o posicionamento de preço.

Em canais de grande volume, prevalece preço competitivo; em canais de conveniência, praticidade e valor agregado.

Revisar portfólio e preços ao menos uma vez por ano é fundamental, já que hábitos de consumo e economia mudam rápido.

2. Para quem vender?

Representa a escolha do cliente-alvo.

Sem clareza, a empresa desperdiça recursos “atirando para todos os lados”.

É preciso segmentar e responder:

Quem são meus clientes atuais e potenciais?

O que eles valorizam (preço, qualidade, agilidade, serviços extras)?

Qual a frequência ideal de compra e o prazo de entrega aceitável?

Quanto mais a empresa conhece o cliente, mais assertiva será sua proposta de valor.

3. Como vender?

Define os canais de vendas (onde o cliente compra) e os canais de distribuição (como o produto chega até ele).

Canais de vendas:

Offline: lojas próprias, franquias, vendedores de campo, televendas, porta a porta.

Online: e-commerce, marketplaces, redes sociais, WhatsApp.

Canais de distribuição:

Direto: a própria empresa entrega.

Indireto: distribuidores ou atacadistas fazem a entrega.

A escolha deve estar alinhada ao portfólio e ao cliente-alvo. O essencial é garantir disponibilidade no lugar certo, na hora certa e pelo preço certo.

O DISTRIBUIDOR NO CONTEXTO DO GTM

O papel do distribuidor

O distribuidor é peça central do GTM no Brasil. Ele garante capilaridade, chega onde a indústria não tem estrutura própria, dilui custos logísticos, mantém relacionamento próximo com o pequeno varejo e pode apoiar na execução com promotores, crédito e treinamentos.

Como o distribuidor pode se posicionar

O distribuidor não deve ser apenas um canal de passagem, mas um parceiro estratégico da indústria.

Atuar como braço de execução no PDV.

Levar inteligência regional sobre hábitos e concorrência.

Investir em digitalização e tecnologia.

Segmentar a carteira de clientes e oferecer pacotes de serviços diferenciados.

INSIGHTS PARA DISTRIBUIDORES

Seja visto como “mini-indústria”: organize portfólio, preços e serviços de forma estruturada.

Traga dados de mercado: sell-out, ruptura e comportamento do varejo aumentam relevância.

Invista em tecnologia: apps de pedido, dashboards e integração com ERP da indústria.

Ofereça pacotes de serviços: crédito, logística ágil, apoio promocional e treinamentos.

Acompanhe tendências: cash & carry, omnicanalidade, marketplaces B2B e last mile.

Em resumo: o distribuidor é peça-chave porque dá capilaridade, reduz custos, garante execução e leva inteligência local à indústria. Quem se limitar a “entregar caixas” perde espaço; quem se coloca como parceiro estratégico ganha relevância e mercado.

POR QUE O GTM É AINDA MAIS CRÍTICO NO BRASIL

Cultural: hábitos de consumo variam entre regiões.

Regional: canais fortes no Sudeste podem não ter a mesma relevância em outras regiões.

Socioeconômica: parte da população busca premium; outra, preço baixo e embalagens econômicas.

Logística: distâncias continentais e infraestrutura desigual afetam custos e prazos.

Não existe modelo único. Cada empresa precisa adaptar rotas, portfólio e estratégias à realidade local.

BENEFÍCIOS DE UM GTM BEM ESTRUTURADO

Evita desperdício: foco nos clientes e canais certos.

Garante alinhamento interno: todas as áreas trabalham juntas.

Aumenta competitividade: fortalece a posição da marca.

Dá agilidade: permite ajustes rápidos ao mercado.

Entrega resultados: conecta estratégia à execução.

O Go-to-Market é o mapa que mostra como a empresa chega ao cliente.

Ele define o que vender, para quem vender e como vender.

Inclui o distribuidor como peça estratégica, capaz de ampliar alcance e levar inteligência regional à indústria.

Quando bem feito, ajuda a crescer com foco, eficiência e rentabilidade.

Quando mal estruturado, gera desperdício, perda de competitividade e abre espaço para a concorrência.

A lógica é simples: sem um GTM claro, a empresa navega sem bússola. Com GTM, ela sabe exatamente onde está, para onde vai e como chegar lá primeiro.